Pular para o conteúdo principal

PASSARELA FENEARTE COMO UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA COLABORATIVA, INTERDISCIPLINAR E PROMOTORA DA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL


"No século XX, na Inglaterra, as escolas de artes e ofícios, os institutos artesanais e outras escolas especializadas, já implementaram propostas pedagógicas de cooperação escolar. Durante as primeiras escolas de design (Bauhaus e Ulm), discursos eram apresentados sobrea a formação do design, ora de forma artesanal e estética, ora de forma tecnológica e funcional. Gropius (2004), por exemplo, ressaltava que na concepção da Bauhaus, o aprender estava diretamente ligado ao fazer, havendo então a ligação entre o aprendizado e o fazer artístico, ou seja, reintegrando arte e ofícios."

Entretanto, independente da integração estética, simbólica ou funcional dos produtos o ensino do design já apresentava uma prática pedagógica colaborativa. Segundo Bürdek (2006), as metodologias de Design tiveram início na década de 1960 com Christopher Alexander, considerado pelo autor um dos pais da metodologia.

Por outro lado, na contemporaneidade a metodologia do design ganha força no olhar sistêmico e colaborativo, do design Thinking. Que segundo Brown (2010), há três fatores primordiais que ele necessita apresentar:

Empatia – pela necessidade de observar o mundo sob múltiplas perspectivas, conseguindo imaginar-se como clientes, colegas e usuários finais em determinadas circunstâncias;

Experimentação – para garantir que inovações significativas não partam de ajustes incrementas e sim de mudanças disruptivas que explorem caminhos totalmente novos;

Colaboração – para trabalhar com indivíduos que possuam experiências e conhecimentos distintos.

Com o olhar sistêmico, é percebido a presença das questões da diversidade, multiplicidade, confronto e visões de mundo diferenciadas, interações entre patrimônio e cultura, novas construções materiais e simbólicas, além da consciência socioambiental, entre tantos outros elementos fundamentais para a atuação do design na sociedade. Segundo Morris (1997), a formação de grupos de estudos e de trabalhos colaborativos, o que se busca é uma parceria entre os indivíduos participantes que vá além da simples soma de mãos para a execução de um trabalho. Na colaboração, há a soma das mentes dos participantes, troca de saberes e envolvimento interdisciplinar.

Com uma visão sistêmica educação e cultura, o olhar do artigo relaciona a importância da Passarela Fenearte como ação pedagógica que está contribuindo para o Plano Estadual de Cultura de Pernambuco, buscando a preservação e valorização da regionalidade dos bens culturais das comunidades, durante a realização do Projeto da coleção de 15 looks, que foram escolhidos para representar a coleção intitulada Não sei, só sei que foi assim!”, apresentada durante a 13° coleção a participar da Passarela Fenearte, em 2021. 

Análise da ação com base no Plano Estadual de Cultura de Pernambuco.

O DESIGN COMO PROMOTOR DA PRESERVAÇÃO DA CULTURA DE PERNAMBUCO

PRÁTICA PEDAGÓGICA COLABORATIVA, INTERDISCIPLINAR

Estímulo à produção e difusão do conhecimento a respeito do patrimônio cultural do Estado

Lançamento do concurso e seleção de peças da coleção “Não sei, só sei que foi assim”, inspirada no Conto de Ariano Suassuna.

Fortalecimento contínuo das instâncias de participação, articulação, pactuação e deliberação das políticas estaduais de cultura

Articulação para parceria com o programa Chapéu de Palha, da secretaria da mulher. Como objetivo de fortalecer as tapeceiras do município de Lagoa do Carro.

­Incentivar a inovação, a pesquisa e a experimentação nas diversas áreas culturais do Sistema Estadual de Cultura de Pernambuco.

 

Trabalhar os discentes com um objetivo comum, real e com vários desafios a serem vencidos durante o Projeto para o desfile no dia 16 de dezembro de 2021 (Figura 2).

 

­Incentivar formação e fortalecimento de fóruns e redes para a difusão das metodologias e práticas das economias colaborativa e solidária, com garantia de regionalização.

 

Os discentes vivenciaram o contexto sociocultural da realidade das artesãs de Lagoa do Carro, que lutam pela permanência do ofício da Tapeçaria (Figura 3).

Estabelecer ações artístico culturais nas instituições públicas de ensino e/ou espaços alternativos de aprendizagem de interesse público como contrapartida de projetos fomentados pelo Sistema Estadual de Cultura de Pernambuco.

 

 Ações artísticas com práticas educativas em tapeçaria e bordados manuais, para a implementação das peças da coleção.

Integração da escola com a arte e a cultura

Encontro dos discentes com as tapeceiras, na comunidade de Lagoa do Carro (Figura 3)

Difusão da produção cultural de Pernambuco

 Uso do movimento Armorial com a criação de estampas e bordados, divulgação das ações nas redes sociais (Figura 5)

­Instituir programa regionalizado de valorização das iniciativas culturais de jovens das periferias das cidades e do campo para estimular a criação artística, o acesso à arte e à cultura, a formação e a circulação dos bens e serviços culturais.

 

Lançamento na Faculdade do concurso Passarela Fenearte 2021, com a criação dos modelos da coleção “Não sei só sei que foi assim”, no dia 16 de dezembro de 2021.


Durante o projeto ações foram realizadas com os professores e alunos, com o objetivo de estimular a curiosidade para memória e o patrimônio cultural. Conciliando o design de moda e o artesanato do município de Lagoa do Carro.                                     

"A ação, realizada em 2021, mostrou que é possível sim a conexão entre a educação e a comunidade!"

Referências

BÜRDEK. Bernhard E. História, teoria e prática do design de produtos. Trad. Freddy Van Camp. São Paulo: Edgard Blücher, 2006

BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro. Elsevier, 2010.

GROPIUS, Walter. Bauhaus: novarquitetura. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2004.

MORRIS, T. E se Aristóteles dirigisse a General Motors?: a nova alma das organizações. Trad. Ana Beatriz Rodrigues; Priscilla Martins Celeste. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

Plano Estadual de Cultura de Pernambuco. Disponível em: < http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Resolucao.PEC_.final_.pdf>. Acessado em: 30 de novembro de 2021An


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONEXÕES POSSÍVEIS: A EDUCAÇÃO VOLTADA PARA PROJETOS INOVADORES

Consumo de Produtos Sustentáveis

Produzidos pela cooperativa Mulheres de Argila, os produtos feitos a partir de ourelas de jeans fazem sucesso entre os produtos sustentáveis brasileiros. São doze milhões de metros de ourelas de jeans descartados por mês pelo polo têxtil da região do agreste de Pernambuco. Neste cenário, um grupo de artesãs produz com criatividade produtos de decoração e acessórios de moda com um resíduo que poderia estar nos lixões ou sendo incinerado nos fornos das lavanderias. Produtos assim são chamados sustentáveis, ou seja, ajudam a preservar o meio ambiente e geram renda para dezenas de famílias carentes do Brasil. Cada vez mais valorizados, os produtos sustentáveis são consumidos por pessoas conscientes de sua responsabilidade social e que compreendem e valorizam a proteção do bem-estar de pessoas e da natureza.   Fonte; https://www.facebook.com/MulheresDeArgila/ Universalismos é o nome atribuído por Schwartz (1992) para o valor motivacional que estimula as pessoas a ...